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YouX Academy

Metodologias para Medir a Usabilidade

Luís Filipe

Luís Filipe

Managing Partner YouX

Miguel Félix

Miguel Félix

Managing Partner iBloom

Medir a Usabilidade

No artigo anterior falamos do Design Centrado no Utilizador  e de como o conhecimento do utilizador e do contexto em que interage com um sistema é essencial para desenvolver interfaces bem sucedidas. Vamos agora falar de um conjunto de metodologias que permitem optimizar as respostas que damos às necessidades dos utilizadores em determinados contextos de utilização. Como referem (Rubin, J., Chisnell, D., 2008) “UCD [User Centered Design, ou Design Centrado no Utilizador] comprises a variety of techniques, methods, and practices, each applied at different points in the product development lifecycle. Reviewing the major methods will help to provide some context for usability testing, which itself is one of these techniques. Please note that the order in which the techniques are described is more or less the order in which they would be employed during a product’s development lifecycle.”

São essas técnicas:

  • Pesquisa etnográfica: observação no local onde o produto será utilizado.
  • Design Participativo: envolvimento dos utilizadores e stakeholders no design do produto.
  • Focus group design: pode ser usado nas fases preliminares do projeto para avaliar conceitos preliminares com potenciais utilizadores.
  • Inquéritos: permitem aferir as preferências de uma base alargada de potenciais utilizadores.
  • Demonstração (exploratória): logo que tenhamos uma ideia de quem é o nosso target e dos seus objetivos e tarefas, demonstrações podem ser usadas para explorar como o utilizador se relaciona e usa o produto através de um primeiro conceito.
  • Card Sorting (abertos e fechados): é muito útil para desenhar a “encontrabilidade” do conteúdo ou da funcionalidade.
  • Prototipagem em Papel: é mostrado aos utiliza- dores algum aspecto do produto num papel, fazendo de seguida questões sobre isso ou perguntando sobre outras vias.
  • Avaliações heurísticas ou de peritos: avaliações de peritos envolvem uma avaliação do produto ou sistema, normalmente por um  especialista de usabilidade ou especialista em fatores humanos com pouco envolvimento com o projeto.
  • Teste de usabilidade: (o foco deste livro) a aplicação de técnicas para colectar dados enquanto se observa potenciais utilizadores a usar o produto enquanto desempenham tarefas de uma forma realista. Este tipo de testes pode ser dividido em duas abordagens principais:
    • a primeira envolve testes formais conduzidos como verdadeiras experiências com o objetivo de confirmar ou infirmar determinadas hipóteses;
    • a segunda, é menos formal mas ainda assim rigorosa, emprega um ciclo iterativo de testes que têm por objetivo expor deficiências de usabilidade e gradualmente ir moldando o produto em estudo.
  • Estudos de follow-up: ocorrem após a apresentação formal do produto. O objetivo é captar dados para as versões seguintes do produto.

Para uma equipa que tenha implementado um Design Centrado no Utilizador, medir a usabilidade é importante desde logo para que toda a equipa multi-disciplinar envolvida no projeto compreenda os objetivos e metas a atingir. A norma ISO/IEC 9126-6 (entretanto substituída pela ISO/IEC 25010:2011) define os requisitos de eficácia, eficiência e satisfação que uma interface tem que ter para que o utilizador consiga atingir os seus objetivos.

Medir a Eficácia

Objetivo: avaliar se o utilizador conseguiu concluir com êxito uma tarefa.

  • Conclusão de tarefas sem erro: quantidade de utilizadores que consegue completar a tarefa sem cometer nenhum erro (o golden path, o fluxo ou interação que nós gostaríamos que o utilizador fizesse).
  • Conclusão da tarefa com erro não critico: percentagem de utilizadores que concluem a tarefa com erros que não têm impacto no sucesso da tarefa mas representam menor eficiência. (o utilizador pede ajuda para prosseguir).
  • Erros críticos: quantidade de utilizadores que não conseguem terminar uma tarefa. Pode também considerar-se os casos em que o utilizador só con- segue executar a tarefa com ajuda.
  • Quantidade de cliques errados ou toques errados: considera a totalidade da interação errada que o utilizador faz na tentativa de realizar a tarefa. O heatmap é uma boa forma de capturar o esforço cognitivo dos utilizadores. Software sugerido MAZE.
  • Frequência do pedido de ajuda: quando o utilizador solicita ajuda ao moderador para corrigir erros ou o ajudar a concluir a tarefa.

Poderíamos assim medir a eficácia através da seguinte fórmula geral:

Medir a usabilidade

Que poderíamos desmultiplicar em taxa de sucesso sem erros, taxa de sucesso com erros e taxa de sucesso sem erros críticos.

Exemplo:
Total de tarefas concluídas com sucesso = 7 Número total de tarefas = 10
Eficácia = 7/10 x 100% = 70%

Medir a Eficiência

Objetivo: avaliar quanto tempo necessita o utilizador para concluir a tarefa.

Tempo de execução da tarefa: quantidade de tempo que o utilizador necessita para concluir uma tarefa. Em termos operativos somam-se os valores dos vários utilizadores e calcula-se uma média. Exemplo:

Tempo de execução das tarefas 13”+10”+7”+10” = 40 seg

Média = 10 seg.

Tempo de realização da tarefa comparado ao de um heavy user: é uma métrica menos conhecida que tem por objetivo até que ponto o fluxo está intuitivo para pessoas com menos domínio tecnológico.

Satisfação ao Realizar uma Tarefa

Após finalizar uma tarefa, mesmo que não tenha sido concluída com sucesso, os utilizadores devem preencher um questionário que mede o grau de dificuldade da tarefa. Os mais populares:

• ASQ: After Scenario Questionnaire.

• NASA-TLX: o índice de carga de tarefas da NASA, que é uma medida do esforço mental.

• SMEQ: questionário de esforço mental subjetivo.

• UME: estimativa de magnitude de usabilidade.

• SEQ: single ease question: esta é uma boa alter- nativa por ser simples. Algo como “No geral, quão difícil ou fácil foi realizar essa tarefa?

“Muito difícil – 1 até 7 – Muito fácil.“

Satisfação Geral do Teste

Serve para compreender a percepção dos utilizadores sobre o que foi testado. No final do teste avança-se um questionário para sabermos qual o grau de satisfação do utilizador para com o teste como um todo. Questionários mais utilizados:

  • SUS: Escala de usabilidade do sistema. é dos mais usados e fornece resultados muito precisos. A partir de questionário de 10 perguntas o utiliza- dor dispões de 5 opções de resposta (de discordo totalmente – de 1 a 5 – concordo totalmente).
  • SUPR-Q: questionário de classificação percentual da experiência de utilizador padronizado.
  • CSUQ: computer system usability questionnaire.
  • QUIS: questionário para satisfação da interação do utilizador.
  • SUMI: inventário da medição de usabilidade de software.

Referências:

 

Rubin, J., & Chisnell, D. (2008). Handbook of usability testing: how to plan, design, and conduct effective tests (2nd ed.). Indianapolis: Wiley.

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